Nosso colunista de cinema traz a você todos os mais emocionantes detalhes dos melhores filmes de todos os tempos. Seu senso de observação é tão à flor da pele que muita gente, depois de ler uma crítica de Plínio, desiste de assistir à película ao vivo. Os motivos são ambíguos.Olá, cinéfilo leitor. Esta semana fui assistir ao emocionante Fatal. Prepare-se para uma viagem aos mais recônditos âmagos essenciais deste filme:
Assim que as luzes se apagaram e a primeira tomada de cena encheu a grande tela do cinema, meu coração palpitou: a pessoa sentada atrás de mim havia trazido um saquinho de balas feito de celofane. Pois bem, e eu ali, tentando entrar no clima do filme e aquele farfalhar de celofane atrás da minha orelha me enlouquecendo. Imagino que eram balas coloridas e o cidadão ficava pescando as vermelhinhas, porque é impossível que algum ser possuidor de polegares opositores faça tanto barulho pra pegar uma nhaca de uma balinha.
Penelope Cruz apareceu com sua franjinha e eu logo pensei: "mas, meu Deus, como esse cara é chato". Porque depois que ele conseguia pescar a balinha vermelha do fundo do maldito saquinho, começava a chupação descontrolada. Era uma barulheira de bala batendo nos dentes, de boca chupando a babinha que já ia escapando e, no final, mastigação aflitiva, com direito a legítimos "nhoc nhocs". Acabado o chupa-mastiga, lá ia ele em busca de mais uma balinha vermelha.
O filme é muito bonito. Quer dizer, pelo menos o lado direito dele. Porque um Shrek cover se sentou à minha frente, tampando toda a minha visão da metade esquerda da tela. Você olha pro filme, acha que a mocinha está solitária, aí o sujeito sentado à sua frente se abaixa e você vê que não, o mocinho estava ao lado dela, mas atrás da cabeçorra cabeluda dele.
Quando achei que, finalmente, o romance tinha tomado conta do roteiro deste filme tão bem recebido em todo o mundo cinéfilo, fui surpreendido por uma reviravolta: o Shrek cover começou a comer balinhas em um saquinho de celofane! Acho que alguma loja ao lado estava fazendo uma imperdível liquidação de balinhas e só tinha papel-celofane para embalar as malditinhas. Para meu espanto, o cidadão sentado atrás de mim começou a fazer uma bolinha com o papel-celofane dele, compondo uma trilha sonora especial para o filme. Era o shok-shok da bolinha sendo amassada, ao lado do nhoc-nhoc-chupa-chupa-pesca-pesca do Shrek em frente.
O fim do filme foi bastante emocionante e libertador, porque pude finalmente levantar e ocupar uma cadeira ao lado, conseguindo, assim, ver o lado esquerdo da tela. Isso mudou completamente minha percepção da direção de arte e da fotografia daquela película; e eu estava absorto nesses pensamentos quando o cidadão de trás passou a esticar o saquinho de celofane e, em seguida, transformá-lo novamente em uma bolinha, repetidas vezes neste processo cada vez mais enlouquecedor.
Foi quando eu percebi que tinha mudado para uma cadeira cheia de chicletes colados por todos os lados. Era chiclete no braço da cadeira, no assento, no local para encaixar o copo, realmente um nojo, o que me fez pensar se, ali no escuro, baratas famintas não teriam chegado até os chicletes recém colados sem que eu me desse conta.
Pensando se um bando de baratas grudadas em chicletes estariam à minha volta, comecei a ficar realmente em pânico. Na tela, o casal lacrimejava, penelope estava com os cabelos curtinhos e o clima estava pesado. O cidadão de trás e o Shrek da frente disputavam o solo de celofane. Se eu fosse uma barata eu viveria em um cinema. As pessoas levam doces e deixam tudo cair no chão. Menos, obviamente aqueles dois adoradores de balinhas vermelhas em saquinhos de celofane que eu tive o desprazer de conhecer ali. Estes pescavam t-o-d-a-s as balinhas e só deixavam o celofane para as baratas.
O pânico tomou conta de Penélope na tela por algum motivo. Enquanto ela corria para os braços de seu amado, eu corri pra fora da sala imaginando baratas grudadas em minhas mangas e em minhas calças, quase às lágrimas, até finalmente chegar à calçada e, aliviado, descobrir que grudado em mim só tinham uns 3 chicletes melequentos, um deles com o que me pareceu um dente de leite enterrado.
Foi uma experiência palpitante. Espero ter passado a você todas as emoções que percorreram meu corpo e minha mente nessas 2 horas em que Fatal enchia a tela. Até a próxima coluna.
Mande sua pergunta para a Pequena Buda e melhore o roteiro de sua pobre vidinha besta.




