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31/10/08

PLÍNIO MARCELO, O CRÍTICO DE CINEMA DESCONTROL

Nosso colunista de cinema traz a você todos os mais emocionantes detalhes dos melhores filmes de todos os tempos. Seu senso de observação é tão à flor da pele que muita gente, depois de ler uma crítica de Plínio, desiste de assistir à película ao vivo. Os motivos são ambíguos.

Olá, cinéfilo leitor. Esta semana fui assistir ao emocionante Fatal. Prepare-se para uma viagem aos mais recônditos âmagos essenciais deste filme:

Assim que as luzes se apagaram e a primeira tomada de cena encheu a grande tela do cinema, meu coração palpitou: a pessoa sentada atrás de mim havia trazido um saquinho de balas feito de celofane. Pois bem, e eu ali, tentando entrar no clima do filme e aquele farfalhar de celofane atrás da minha orelha me enlouquecendo. Imagino que eram balas coloridas e o cidadão ficava pescando as vermelhinhas, porque é impossível que algum ser possuidor de polegares opositores faça tanto barulho pra pegar uma nhaca de uma balinha.

Penelope Cruz apareceu com sua franjinha e eu logo pensei: "mas, meu Deus, como esse cara é chato". Porque depois que ele conseguia pescar a balinha vermelha do fundo do maldito saquinho, começava a chupação descontrolada. Era uma barulheira de bala batendo nos dentes, de boca chupando a babinha que já ia escapando e, no final, mastigação aflitiva, com direito a legítimos "nhoc nhocs". Acabado o chupa-mastiga, lá ia ele em busca de mais uma balinha vermelha.

O filme é muito bonito. Quer dizer, pelo menos o lado direito dele. Porque um Shrek cover se sentou à minha frente, tampando toda a minha visão da metade esquerda da tela. Você olha pro filme, acha que a mocinha está solitária, aí o sujeito sentado à sua frente se abaixa e você vê que não, o mocinho estava ao lado dela, mas atrás da cabeçorra cabeluda dele.

Quando achei que, finalmente, o romance tinha tomado conta do roteiro deste filme tão bem recebido em todo o mundo cinéfilo, fui surpreendido por uma reviravolta: o Shrek cover começou a comer balinhas em um saquinho de celofane! Acho que alguma loja ao lado estava fazendo uma imperdível liquidação de balinhas e só tinha papel-celofane para embalar as malditinhas. Para meu espanto, o cidadão sentado atrás de mim começou a fazer uma bolinha com o papel-celofane dele, compondo uma trilha sonora especial para o filme. Era o shok-shok da bolinha sendo amassada, ao lado do nhoc-nhoc-chupa-chupa-pesca-pesca do Shrek em frente.

O fim do filme foi bastante emocionante e libertador, porque pude finalmente levantar e ocupar uma cadeira ao lado, conseguindo, assim, ver o lado esquerdo da tela. Isso mudou completamente minha percepção da direção de arte e da fotografia daquela película; e eu estava absorto nesses pensamentos quando o cidadão de trás passou a esticar o saquinho de celofane e, em seguida, transformá-lo novamente em uma bolinha, repetidas vezes neste processo cada vez mais enlouquecedor.

Foi quando eu percebi que tinha mudado para uma cadeira cheia de chicletes colados por todos os lados. Era chiclete no braço da cadeira, no assento, no local para encaixar o copo, realmente um nojo, o que me fez pensar se, ali no escuro, baratas famintas não teriam chegado até os chicletes recém colados sem que eu me desse conta.

Pensando se um bando de baratas grudadas em chicletes estariam à minha volta, comecei a ficar realmente em pânico. Na tela, o casal lacrimejava, penelope estava com os cabelos curtinhos e o clima estava pesado. O cidadão de trás e o Shrek da frente disputavam o solo de celofane. Se eu fosse uma barata eu viveria em um cinema. As pessoas levam doces e deixam tudo cair no chão. Menos, obviamente aqueles dois adoradores de balinhas vermelhas em saquinhos de celofane que eu tive o desprazer de conhecer ali. Estes pescavam t-o-d-a-s as balinhas e só deixavam o celofane para as baratas.

O pânico tomou conta de Penélope na tela por algum motivo. Enquanto ela corria para os braços de seu amado, eu corri pra fora da sala imaginando baratas grudadas em minhas mangas e em minhas calças, quase às lágrimas, até finalmente chegar à calçada e, aliviado, descobrir que grudado em mim só tinham uns 3 chicletes melequentos, um deles com o que me pareceu um dente de leite enterrado.

Foi uma experiência palpitante. Espero ter passado a você todas as emoções que percorreram meu corpo e minha mente nessas 2 horas em que Fatal enchia a tela. Até a próxima coluna.

Mande sua pergunta para a Pequena Buda e melhore o roteiro de sua pobre vidinha besta.

26/10/08

A ATENDENTE CARENTE

- Alooouaaaaaaam?

- Bom dia, por gentileza a senhora Marineide?

- Olha, tipo assim não tem Marineide aqui, saca?

- Não? Mas, senhora, esse foi o telefone de contato que ela colocou aq...

- Sei lá, ó, assim: meu nome é Mari, tá? Mari Kótz. Esse lance de Marineide, cara... SUPER brega.

- Mas... mas a senhora é a Marineide?

- Cara, tu é doida? Eu sou Mari, tá? Mari Kótz. Marineide é tipo assim um lado de mim que eu não quero assumir, tá sabendo?

- Oi?

- Oi, gata, falaí, que que manda?

- E-eu... eu... bom, dona Marin... Dona Mari, aqui é Irene, representante do Serviço Personalizado de Atendimento ao Consumidor Inadimplente do Banco Economia do Estado de Minas Gerais.

- Pô cara, legal. Acho bacana isso.

- O-obrig-gada. Dona Mari, eu prec...

- Gata, na boa: Dona Mari é péssimo. Mari e tu tá na onda. Dona Mari e tu pira um aqui, saca?

- ...

- Aloooooooaaam? Tá aí, gata?

- Sim. Sim, Don... Mari. Então, senhora, eu preciso...

- Ai, cara, só matando um! Senhora, gata? Chama de uma coisa mais trend. Eu sou blogueira, mona, sou descolada, sou moderna, eu sou quase uma web celebrity e tu vem me mandando um "dona", molenga? Um "senhora", cara? Sabe, olha, nem sei, cara, sei lá. Mesmo, de verdade.

- Dona Marineide, pelamorde...

- Não surta, gata! Não pira! Faz assim, passa um e-mail. Um scrap. Deixa um comment. Tu tem Twitter?

- Eu... o quê?

- Ai, sabe, sem condições, porque meu, assim... sei lá, tem que ter um gás aí nesse treco, olha, só tenho pra te falar que, ó: FAIL, gata.

- Feio?

- Não, FAIL, gata.

- Quem é feio?

- Esse lance aqui, molenga, tá feio pro teu lado, porque ó, vou te bater essa, mas com sinceridade, tá sacando? Eu não peguei o que tu quer, gata. E eu preciso ir nessa, falou? Então tipo assim eu fui, pode ser?

- Eu... Mas...

- Fui, gata!

CLIC

- Dona Mari? Alô... ?

Dúvidas? Pergunte à Pequena Buda.

NAPOLEÃO, O BIPOLAR

From: Tribunal Regional Eleitoral- SP
Date: 26.10.08
Subject: Pedido de Ajuda
To: Tribunal Superior Eleitoral

Caríssimos colegas do TSE, estamos tendo um problema bastante grave na capital de São Paulo e precisamos que algum tipo de intervenção seja feita antes das próximas Eleições.

Acontece que temos esquemas de segurança em todas as zonas eleitorais, a Lei Seca perdura pelo dia todo em que os eleitores devem comparecer e até hoje, desde que se iniciou o movimento democrático neste país, jamais tivemos tanta necessidade de ajuda das forças superiores. E por forças superiores nem considerem o TSE, é de Deus mesmo que estamos falando.

Um eleitor chamado Napoleão, que vota na Zona Sul da Capital, tem nos deixado loucos. Ele comparece todos os anos cedinho, com seu Título de Eleitor nas mãos, e fica no portão fazendo discursos a quem passar, aos policiais e aos mesários, falando como é importante trabalhar pela democracia. E lá ele fica, aos berros, falando e falando e, com toda sinceridade, apesar de ser chatíssimo, nunca houve problema maior.

Porém, de um tempo pra cá, este senhor começou a agarrar o braço das pessoas, impedindo-as de se afastar até que ele concluísse seu raciocínio. Um raciocínio que dá voltas e voltas, já que ele começa um novo assunto e um novo dentro deste e, tal qual Sherazade, nunca conclui. E este ano tivemos as seguintes ocorrências, devidamente registradas no B.O. anexo:

- 54% dos mesários não conseguiram estar presentes à abertura das portas. Eleitores chegavam em suas seções e não encontravam nem a urna. E as pessoas compareceram, o que elas não conseguiram foi se desvencilhar do Napoleão. Alguns choravam dizendo que, quem caiu na besteira de fazer contato visual com o tal maluco, jamais conseguiu passar da calçada. Policiais tentaram fazê-lo libertar os trabalhadores, porém também não conseguiram sair dali, esperando o cidadão concluir seu pensamento sobre a democracia (com desvios para a Lei Seca, o trânsito, a eleição no primeiro mundo, quando ele foi mesário, a história do fiscal de partido que... enfim, 1001 noites cover);

- 62% dos eleitores daqui pediram transferência, 34% justificaram seu voto porque, apesar de terem ido em tempo hábil para votar, não conseguiram passar a muvuca do portão e o medo de ser escolhido por Napoleão para ouvir sobre a diversidade de tipos de fórmica usadas nas mesas dos colégios que servem como locais de votação era quase palpável.

- o próprio senhor Napoleão não conseguiu votar, já que às 17 horas ele ainda estava discursando para o infeliz público que se aglomerava e era obrigado a ouvir sobre o tempo em que ele dobrava cédulas carbonadas e levava a urna para o ginásio do Ibirapuera.

Quando encerramos a votação, este senhor ficou irritadíssimo porque disse que nunca viu uma muvuca tão grande e, por conta disso, não tinha conseguido entrar para votar. Agrediu os responsáveis pela escola com perdigotos assassinos, quase cegando a coordenadora do TRE, e só conseguimos vencer essa dificuldade lá para as 20h, quando, calmamente, tranqüilo e sereno, Napoleão vestiu uma camisa da Seleção e rumou para o ginásio do Ibirapuera. Ninguém foi louco de perguntar pra quê, apenas corremos em várias direções em busca de nossa liberdade.

Fomos acionados por alguns vizinhos próximos à escola por causa dos decibéis emitidos pelos berros e agora toda minha equipe se recusa terminantemente a trabalhar no ano que vem, a não ser que este Napoleão seja impedido de votar ou transferido de zona. De cidade, é melhor. Na verdade, o melhor seria que ele fosse transferido para o Consulado do Brasil na Sibéria.

Aguardamos um retorno.

Gratos

Mande suas dúvidas existenciais à Pequena Buda e tenha um ano de luz e sabedoria.

12/10/08

SÃO VITO WANNABE

Meu prédio foi projetado para ser um cortiço. Mas, para azar do arquiteto, Moema resplandeceu em meio ao milagre imobiliário e temos aqui, encravado no seio da Zona Sul, um edifício elegante com alma de favela.

Capítulo de Hoje: Barulhos, Ruídos e Sons Diversos

Como todos os leitores deste blog sabem, o São Vito Wannabe é um prédio muito calmo. E, como edifício silencioso e tranqüilo que é, hoje, em especial, brinda-nos com um bônus: a missa em celebração de Nossa Senhora Aparecida.

Veja bem: aqui nas cercanias temos diversos ruídos enlouquecedores, como alarmes de carro que invadem a madrugada, lutando para se fazer audível em meio aos ônibus e caminhões que passeiam pela Avenida Ibirapuera, os grupos de manos e minas que vão a pé de sei lá onde para sei lá onde aos berros coletivos, às motos envenenadas, às sirenes de ambulâncias, carros de bombeiro, de resgate e, por Deus!, da Polícia, eventuais explosões de carros sendo convertidos a gás em um terreno baldio próximo e alarmes de imóveis. Esses são os mais bacanas, pois sempre disparam na sexta à noite, no máximo sábado de manhã, e misteriosamente param apenas na segunda durante o dia. Pergunta: pra que o alarme, se não há uma central que seja informada em caso de invasão/disparo do alarme? É pra que a gente fique sabendo que o alarme toca e contar na segunda como a bateria é de longa duração?

Também temos os cachorros abandonados temporariamente em casa enquanto os donos se ausentam - e que passam a latir non-stop... se ainda em São Paulo tivesse algum hotelzinho para pets... - e, desde mais recentemente, misteriosos pássaros completamente tomados por um jet leg de migração, porque os bichos fazem uma trilha sonora "bem-vindos ao Pantanal" durante toda a noite. E, é claro, a participação pontual das britadeiras da Sabesp, Eletropaulo e Comgás que, me parecem, quando fecham um buraco na rua deveriam colocar, no lugar de asfalto, uma porta giratória, tamanha é a necessidade de SEMPREEEE reabrir todos eles, trabalho feito noite afora para preservar o trânsito fluindo... ai, péra, vou me matar de rir e já volto.

Mas no dia 12 de outubro tudo fica... pior ainda. O São Vito Wannabe é localizado exatamente em frente à igreja de Nossa Senhora Aparecida. E hoje é o dia Dela. Portanto, o padre organiza um dia de missas em repeat. Das sete às sete acontece a missa. Acabada a primeira sessão, começa a segunda. Acabada a segunda, engata a terceira. O mesmo script, mas sem trailers no início, que é pra agilizar. Eu bem que desconfiei quando vi pipoqueiros à porta da Igreja, mas só hoje me dei conta de que é porque existem sessões, como as de cinema.

Mas nós, moradores deste glorioso edifício, não precisamos nos deslocar em meio ao populacho: aqui mesmo em nossas unidades condominiais é possível ouvir a missa. E todas as suas onze repetições. Só me resta pensar que:

- o padre deve ter gravado a missa em uma fita K-7 como as dos carros da pamonha e colocou seu speech em repeat enquanto foi ver algum jogo do Coringão;

- no ano que vem poderiam fazer a transmissão da missa on-line ou colocar um telão para que nós, aqui no prédio, possamos acompanhar as imagens - a era do rádio nos entedia;

- ou eles poderiam avisar as pessoas "ó, a missa vai ser às 10h" e, pronto, não precisa fazer esse repeat mala.

Ainda bem que o dia de Nossa Senhora Aparecida é em outubro e não em junho. Nossa agenda em neste mês está lotada, pois acompanhamos a narração de TODAS as quadrilhas de TODAS as festas juninas de Moema.

Isso sem contar os campeonatos de bicicross que tem regularmente em uma pista próxima, narrada pelo mais animado dos faladores-em-microfone e as diárias aulas na academia aqui ao lado.

Agora, com licença, vou lá pra varanda, que a aula de Dança do Ventre já está para começar, aproveitando uma pausa entre o final da missa 7, da passagem dos comboios de sirenes e antes dos mano chegar pra janta!

Você mora em um bairro barulhento e não sabe mais o que fazer para manter sua paz interior? Consulte a Pequena Buda e torne sua vida mais iluminada.

29/09/08

SIFÚ, A MENINA DO DEDO PODRE

Ai, Diário, fala sério, só pode ter uma macumba em cima de mim! Imagine que minha prima Vanderlusa voltou de Miami. Lembra a Vander, que tava morando em Miami desde julho do ano passado? Então. Ela. Descobriram que o visto dela tinha vencido em dezembro e lá foi ela pro aeroporto algemada. Mas sabe como é, o avião atrasou e conversa vai, conversa vem, a Vander ficou amigona do policial que ficou lá pra ver se a criatura entrava no avião mesmo.

E não é que o policial se apaixonou? E veio pra cá?! Ah meu Deus, o cara se destrambecou pra casa de um parente de quinto grau ali no Grajaú e tanto ficou vigiando a porta da casa da Vander que, uma semana depois, um dos vizinhos foi pagar o salário pra ele, achando que o imbecil era o segurança contratado pelo comitê de moradores.

Bom, o que ela fez pra se livrar dele? Apresentou o cara pra mim! Eu nem sabendo de nada disso, tava achando que era um amigo dela americano, sei lá. E sabe como é carência, né, Diário? Ele ali, desprezado e eu, aqui, só me dando mal... acabou que começamos a namorar.

O problema é que ele fez treinamento pra ser policial nos Estados Unidos, terra da Swat. O cara é um noiado maldito! Ficava o dia inteiro se arrastando colado nas paredes e conversando com os contatos dele da Polícia daqui pelo Nextel. O dia inteiro era esse cara gritando e apitando na minha orelha em um português sofrível... e tudo era novidade pra ele! Sabe quantas vezes eu tive que ouvir "ado ado cada um no seu quadrado" aos berros e apitos e com sotaque de maluco? O cara transava de nextel na mão. Era uma apitaiada que o síndico do meu prédio me chamou a atenção! Olha a vergonha!

Quase fiquei louca, Diário! Pra despistar o cara, eu tive que levar ele na 25 de março e sair correndo na primeira brecha. Ele deve estar lá até agora, tentando achar o caminho enquanto berra naquele nextel! Tive que mudar de prédio até! Tá bom, confesso, em parte foi pela vergonha de ser apontada como a Senhorita Apito cada vez que saía de casa, mas ele sabia meu endereço, não restou alternativa.

Eu vou matar a Vanderlusa e... não, melhor não. Vai que sou presa e fico trancada em uma cela justo onde o infeliz trabalha, sei lá. Já pensou? Presa e ouvindo apito? Ninguém merece, Diário.

Mande sua pergunta para a Pequena Buda. Sua vida será iluminada e dedo podre nenhum o atingirá.

22/09/08

AS AVENTURAS DO FUCA VOVÔ

Fuca Vovô é um fusquinha velhinho descobrindo o mundo moderno. Ele morava há mais de 30 anos em uma rua tranqüila, afastada e silenciosa. De repente, sua vida mudou: ele passou por um make-over, mudou para um prédio, fez amizades na garagem e já encontra engarrafamentos, barulho e poluição assim que ultrapassa o portão.

Episódio de hoje: A Gripe

Eu sou um senhor de idade. Minha saúde não é mais de ferro, no máximo de latão. E reciclado! E vejam vocês que minha desnaturada dona me colocou para andar na chuva.

Bem, é verdade que eu me diverti como um rapazola passando pelas poças d'água e entrando em uma infantil guerrinha de água, em que um carro espirrava água barrenta no outro em pleno portão do Parque do Ibirapuera. Foi divertido, mas tive que encarar as conseqüências horas depois, quando uma gripe inclemente veio me fazer espirrar, tossir e ficar com dor nas juntas.

Outro dia fomos ao lava-rápido, eu e minha dona. Sabem, no meu tempo não tinha disso não, a gente tomava banho em casa mesmo. Mas agora, com essas modernidades, me vi entrando em uma espécie de túnel molhado, cheio de escovas gigantes que rodavam sem parar me esfregando enquanto chovia na minha cabeça.

É engraçado e, apesar de ter entrado água em mim (ora, não fui feito no tempo em que existiam lava-rápidos), adorei passar por uma cortina de ventinho logo em seguida. É muito refrescante. Depois, passaram aspirador em meus tapetinhos e enxugaram todo o resto de água da parte de fora e, bem... no meu caso, na parte de dentro também. Mas eram meninos muito cuidadosos e conversaram comigo, virei o vovô da patota.

Mas como depois da chuva eu não passei pelo ventinho, veja o que aconteceu: peguei uma gripe. Preciso pedir à minha dona para comprar um secador de lata para mim. Esse mundo moderno me dá um trabalho...

Mande sua pergunta para a Pequena Buda. Sua vida será iluminada e até a gripe irá embora.

15/09/08

SÃO VITO WANNABE

Meu prédio foi projetado para ser um cortiço. Mas, para azar do arquiteto, Moema resplandeceu em meio ao milagre imobiliário e temos aqui, encravado no seio da Zona Sul, um edifício elegante com alma de favela.

Capítulo de Hoje: Cada Varandinha Tem Uma Cachoeira

Um prédio como o nosso querido São Vito Wannabe é praticamente um gêiser de tendências. Pense em algo que é moda na Europa e saiba que isso também apareceu primeiro por aqui. Pessoas antenadas, trend setters, trend spreaders, sprinklers de tendência, uma loucura.
Enquanto o mundo todo procura formas de se integrar à natureza, os antenados moradores de nosso nababesco edifício já encontraram uma maneira de morar em uma favela vertical fingindo que está em um condomínio fechado no Morumbi.
Se no Morumbi as pessoas, se quiserem ter uma conversa particular ao telefone, podem passear pelo jardim gramado de sua casa, interagindo com os passarinhos multi-coloridos, plantinhas simpáticas, árvores frutíferas e um ou outro cãozinho amigável.
Acontece que, aqui no São Vito Wannabe, juntamos a praticidade de morar em meio à selva de pedra e o comportamento silvestre do campo rural glamuroso dos condomínios do Morumbi: todos por aqui falam no celular na varandinha. Não é que falam, me expressei mal: berram. Porque rico que é rico berra. E assim, os vizinhos se sentem conectados ao papo, acrescentando à globalização interativa de que se fala nos lugares mais cosmopolitas e descolados do nosso planetinha azul, não é mesmo?
Sim, o celular pega dentro de casa. Sim, pega tão bem que podemos falar, ao invés de berrar. Mas os habitantes do São Vitão berram na varanda, como se lá houvesse uma cascata, acordando seus vizinhos, se for pela manhã ou madrugada; interrompendo o filme; atrapalhando a música; espantando os passarinhos; provocando latidos dos cachorros próximos; virando alvo de frutas e vasinhos de violetas voadores, atirados em direção aos berros incessantes.
E, assim, em meio à brisa, às frutas, às plantinhas, florzinhas, aos passarinhos e cãezinhos, os moradores deste animado prédio sentem-se em seus próprios quintais gramados glamurosos e silvestres... ao lado de uma cachoeira (daí o volume de seus gritos).
É esse arzinho do interior que faz do São Vito um edifício residencial para toda a família, com a tranquilidade do campo para um e o stress de conviver com gente mal-educada para os outros 159.
Seu vizinho também berra na varanda como se não houvesse amanhã? Consulte a Pequena Buda e torne sua vida mais iluminada.

11/09/08

A ATENDENTE CARENTE

- Alô?

- Boa tarde. O senhor Camilo, por favor?

- Quem gostaria?

- Aqui é Irene, representante do Serviço Personalizado de Atendimento ao Consumidor Inadimplente do Banco Economia do Estado de Minas Gerais, senhora.

- Duvido.

- C-c-como, senhora?

- Duvido.

- Duvida que aqui quem fala é Irene?

- Não. Que é a Irene, eu acredito. Eu duvido que você seja desse Serviço de... Atendimento não sei o quê aí.

- Mas senhora... eu sou. E preciso falar com o senhor Camilo, por gentileza.

- Você é a talzinha que eu vi o Camilo beijando outro dia.

- Oi?

- A talzinha. Vadia. Que fica beijando meu marido no meio da rua. Ele tem família, tá sabendo?

- Minha senhora, por favor, eu nem conheço seu marido, veja bem, eu sou do Serviço Pers...

- Já falei: duvido.

- A senhora tem todo direito de duvidar, ainda mais se seu marido não é confiável, acont...

- Ele não é confiável mesmo, mas com ele eu me entendo, agora eu quero é falar com você, sua vagabunda.

- Ah meu Deus, como assim "vagabunda"? Eu sou uma moça de famíl...

- Sei, sei... vagabunda também tem família, minha filha...

- Mas minha senhora, eu só estou aqui fazendo o meu trabalho. E eu sou noiva, sabe?

- Do Camilo?

- NÃO!! Do meu noivo!

- O Camilo?

- Não, senhora, do Antônio Otávio, meu noivo, vamos nos casar... bem, em breve.

- Não tem data...?

- Não senhora, mas isso não quer dizer que ele não queira casar comigo, ou está em dúvida e nem nada disso, a senhora não insinue nada...

- Não, não, é você que está falando. Vai ver é porque ele sabe que você é vagabunda e fica de esfregação com o marido das outras, não é?

- Ah meu Deus, como assim? Eu só liguei para cobrar a dívida que o senhor Camilo tem com o...

- Ele teve um filho com você? É a pensão que você tá cobrando? Quanto ele te paga de pensão?

- O quê? Pensão? Não, não, é uma dívida, um empréstimo que ele fez no...

- Eu quero falar com o seu noivo.

- Heim? Como assim quer falar com o meu noivo?

- Ele pensa que o filho é dele?

- Q-q-que filho? Ele tem um filho?

- O filho do Camilo.

- O Antonio Otávio tem um filho e não me contou?

- Pois é.

- Mas... mas como assim, meu Deus, ele jurou que não...

- Olha, preciso desligar...

- ... e aquela menina que ligou, será que ela...

- Tchau, queridinha.

- T-tchau, senhora... eu... puxa... obrigada. Eu... Putz...

CLIC

Dúvidas? Pergunte à Pequena Buda.

09/09/08

NAPOLEÃO, O BIPOLAR

From: Buffet Happy Rainbow - Filial Pinheiros
Date: 08.09.08
Subject: Sugestão de banimento
To: Buffet Happy Rainbow - Matriz

Caros colegas da nossa matriz, eu gostaria de propor o banimento de uma pessoa em definitivo de nosso buffet infantil.

Acontece que, neste sábado, houve uma festa de aniversário aqui na Filial Pinheiros e um dos convidados conseguiu estragar a festa, traumatizar metade das crianças e ainda destruir parte de nossas instalações. Tudo isso em apenas 10 minutos.

O tema da festa era Grande Circo Rainbow do Eduzinho (o nome da criança aniversariante era Eduardo, daí o Eduzinho) e, como fica bem claro, tratava-se de uma simulação de circo. Todos os nossos monitores estavam vestidos de palhaço, cada um com uma cor do arco-íris representada na roupa e na peruca, malabaristas e contorcionistas fizeram seus shows, tudo como manda o Manual da Filial Happy Rainbow.

Um convidado de nome Napoleão, ao que tudo indica padrinho do tal Eduzinho, participou ativamente, sendo rapidamente eleito o "Palhaço Bacana Happy Rainbow", com direito à faixa e peruca colorida arco-íris, também como indica o Manual Happy Rainbow.

O que não está previsto no Manual é o que devemos exatamente fazer se o Palhaço Bacana Happy Rainbow entende que foi eleito "o palhaço mais gay do ano" ou algo do tipo, apenas pela presença do arco-íris na faixa e na peruca, ignorando o fato de o nome do nosso buffet ser Happy RAINBOW.

O tal Napoleão ficou possesso, começou a chutar a mesa do bolo dizendo que palhaço era o pai do Eduzinho, o bolo voou longe, aterrissando na avó do Eduzinho, que, desesperada por ser diabética e estar coberta de açúcar, começou a se debater às cegas, invadindo o castelo pula-pula, as crianças tentavam sair, mas a velhinha se agarrava a elas, os pais não conseguiram evitar que algumas crianças quase fossem pisoteadas, o pai do Eduzinho começou a achar que o Napoleão era o novo namorado da mãe do Eduzinho, já que eles recém se separaram e, segundo ele, ele foi feito de palhaço no divórcio, os monitores não conseguiram conter a confusão, porque o tal Napoleão começou a atirar cadeiras em cima de qualquer pessoa que visse pela frente e que trouxesse alguma referência ao arco-íris, disse que todas as crianças ali eram viadinhos e lesbiquinhas, ao que um casal gay, pais adotivos de um dos convidados se ofenderam, partiram pra ignorância, o tal Napoleão começou a tentar colocar a faixa em um e a peruca em outro, quando a velhinha afogada no bolo começou a cantar parabéns, tentando talvez salvar o clima de festejos, interrompida pelo tal Napoleão, que inesperadamente começou a cantar Parabéns a Você para o Eduzinho com toda a animação, acendendo as velas e, por consequência, a velha, que teve que ser socorrida pelos monitores-palhaço que ainda não tinham nenhum membro quebrado pelo ataque das cadeiras voadoras.

Para que isso não aconteça em nenhuma de nossas filiais, gostaria de propor que esse Napoleão seja definitivamente banido do Buffet Happy Rainbow Brasil.

Agradecida,

Maria Guilhermina - Diretora Geral da Filial Happy Rainbow Pinheiros

Não sucumba ao inferno astral: mande suas dúvidas existenciais à Pequena Buda e tenha um ano de luz e sabedoria.

05/09/08

KARINA VEVUM

Djô saí em lo rornál. Avri el rornál e me bi ali en una fuêto en colores, lindíssima, em todo meu esplendor e veleza!

Save como é, soy DIRETOOOOORA, e todos querem ser como djô. Entonces el rornal fez una matéria sovre... vom, nón foi sovre mim, mas foi sovre a arrência em que eu trabalho. Como DIRETOOOORA.

Na berdade nón foi sovre a arrência, foi más sovre lo mercado em geral... mas eu trabajo em una arrência que és do mercado, por isso minha fuêto estaba lá... Ok, djô nón sei porque eczatamente minha fuêto estaba lá, mas lo importante é que djô estaba lindíssima.

E como mi fuêto saiu en lo rornál, djô resolbi comemorar. Nón, na berdade, vevemorar. TIM TIM! À mi saúde, à mi veleza, a mi emprego, que és tán importante que mi fuêto aparece en lo rornál. AHAHAHAHAHAAHAH

HIC! ops... Ainda vem que nón solucei quando el fotógrafo tirou mi fuêto. HIC AHAHAHAHAH Ia ser una fuêto divertida. HIC. Ahora estoy bendo la fuêto aqui e nón está tán voa, nón, HIC, esse fotógrafo és una grande mierda, hijo de la puta HIC maldito!

Estoy gorda en la fuêto. HIC! Estoy deprimida e preciso vever para me sentir melhor. HIC. Tengo certeza de que este fotógra... HIC... fo hijo da puta foi contratado pela Renata para me foder! HIC! Mira, pareço una Orca, Valeia Assassi... HIC... na, nem puêdo colocar a fuêto no puêrta-retrato HIC. Puta que lo pariô.

És fuêda a gdente ser fodona, HIC, todo mundo tem inbeja, AHAHAHAHAAHAHAH, olha só esse cara na fuêto da outra página do rornál: HIC! Tá com inbeja! Putoooooo! Buên, boi vevemorar meu devut en la mídia. HIC! Será que essa soy djô? HIC. Quem és esta aqui en mi fuêtoooo?

Nossa colunista paraguaia, a publicitária fodona Karina Cornetto, é assídua na seção de "flagras" das revistas de fofoca. Chamada de Karina Bebum, a Britney Spears da terceira idade, todas as semanas ela protagoniza um novo e mais chocante escândalo para chamar a atenção de todos a seu redor.
Saia bem na foto: mande suas dúvidas para a Pequena Buda e sinta uma leveza em seu coraçãozinho