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15/09/08

SÃO VITO WANNABE

Meu prédio foi projetado para ser um cortiço. Mas, para azar do arquiteto, Moema resplandeceu em meio ao milagre imobiliário e temos aqui, encravado no seio da Zona Sul, um edifício elegante com alma de favela.

Capítulo de Hoje: Cada Varandinha Tem Uma Cachoeira

Um prédio como o nosso querido São Vito Wannabe é praticamente um gêiser de tendências. Pense em algo que é moda na Europa e saiba que isso também apareceu primeiro por aqui. Pessoas antenadas, trend setters, trend spreaders, sprinklers de tendência, uma loucura.
Enquanto o mundo todo procura formas de se integrar à natureza, os antenados moradores de nosso nababesco edifício já encontraram uma maneira de morar em uma favela vertical fingindo que está em um condomínio fechado no Morumbi.
Se no Morumbi as pessoas, se quiserem ter uma conversa particular ao telefone, podem passear pelo jardim gramado de sua casa, interagindo com os passarinhos multi-coloridos, plantinhas simpáticas, árvores frutíferas e um ou outro cãozinho amigável.
Acontece que, aqui no São Vito Wannabe, juntamos a praticidade de morar em meio à selva de pedra e o comportamento silvestre do campo rural glamuroso dos condomínios do Morumbi: todos por aqui falam no celular na varandinha. Não é que falam, me expressei mal: berram. Porque rico que é rico berra. E assim, os vizinhos se sentem conectados ao papo, acrescentando à globalização interativa de que se fala nos lugares mais cosmopolitas e descolados do nosso planetinha azul, não é mesmo?
Sim, o celular pega dentro de casa. Sim, pega tão bem que podemos falar, ao invés de berrar. Mas os habitantes do São Vitão berram na varanda, como se lá houvesse uma cascata, acordando seus vizinhos, se for pela manhã ou madrugada; interrompendo o filme; atrapalhando a música; espantando os passarinhos; provocando latidos dos cachorros próximos; virando alvo de frutas e vasinhos de violetas voadores, atirados em direção aos berros incessantes.
E, assim, em meio à brisa, às frutas, às plantinhas, florzinhas, aos passarinhos e cãezinhos, os moradores deste animado prédio sentem-se em seus próprios quintais gramados glamurosos e silvestres... ao lado de uma cachoeira (daí o volume de seus gritos).
É esse arzinho do interior que faz do São Vito um edifício residencial para toda a família, com a tranquilidade do campo para um e o stress de conviver com gente mal-educada para os outros 159.
Seu vizinho também berra na varanda como se não houvesse amanhã? Consulte a Pequena Buda e torne sua vida mais iluminada.